Roudinesco,
Elisabeth. Por que a psicanálise? Rio de Janeiro: Zahar,
2000.
Terceira
Parte: “O futuro da psicanálise”
Capítulo
4: “Crítica das instituições psicanalíticas” (pp.
150-163)
“Se os pacientes mudaram, os psicanalistas das novas gerações
também não se parecem com os mais velhos. A esse respeito, há
menos diferença do que antigamente entre os lacanianos e os outros
freudianos. Todos fizeram os mesmos estudos de psicologia e muitos
exercem outra atividade que não a de psicanalistas: em geral, são
psicólogos clínicos. Seja qual for o grupo a que pertencem, têm
poucos pacientes particulares e trabalham principalmente em
instituições onde utilizam outras técnicas: psicodrama,
psicoterapia familiar e de grupo. Todos exercem funções nos
serviços de saúde: assistência a toxicômanos, prostitutas,
delinquentes, doentes de AIDS, cuidados paliativos etc.
(…)
Apesar de todas as dificuldades com que se vê confrontada, esta geração aspira a uma renovação do freudismo. Mais próximos que os mais velhos da miséria social, com a qual se deparam em campo, os jovens são também mais pragmáticos, mais diretos, mais humanistas, mais sensíveis a todas as formas de exclusão e mais exigentes em suas escolhas éticas.
(…)
Menos teóricos e mais clínicos, manifestam uma abertura maior para todas as formas de psicoterapia, muito embora adotem a psicanálise como modelo de referência, mas sem se submeterem à autoridade de uma escola...”. (pp. 161-62).